Andavamos, eu e minha avó, voltando do teatro, subindo pela rua que leva a nossa casa.. pela pracinha, e de repente ela olha pro céu e me diz:
- Sabe, há meses que eu não vejo uma só estrela no céu. É mais fácil ver uma estrela do cinema, do que uma no céu..
Eu concordei. Realmente, há meses que não existe no meu céu, no nosso céu, uma só estrela. Já te escrevi tanto, falando sobre elas.. já as construí, em retalhos de papel, pintei de dourado e te dei, só por saber que você gostava delas.. Já vimos, tanto no céu, quanto no teto do seu quarto, quanto nos sonhos.. as estrelas sempre estiveram presentes..
Concordei, então, com a minha avó.. há meses não existe uma só estrela brilhando no nosso céu.
O tempo está mudando. Só hoje já esteve claro, com o sol brilhando, e nublado, e de volta ao céu claro, umas seis vezes. Tanto lá fora quando aqui dentro de mim.
Mas já é dezembro e é tempo de sol. Tempo de estrelas. Então eu vou imitar as pessoas que, chateadas com a chuva, gritam pro céu:
- Já é dezembro, porra! Julho já passou! Dá pra trazer de volta o sol?
Já é tempo do céu nublado ir embora. É tempo de estrelas.
domingo, 30 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
“Escrever salva a alma presa,
Salva a pessoa que se sente inútil,
Salva o dia que se vive e que nunca se entende,
A menos que se escreva.
Escrever é procurar entender,
É procurar reproduzir o irreproduzível,
É sentir até o ultimo fim,
O sentimento que permaneceria
Apenas vago e sufocador.
Escrever é também abençoar
Uma vida que não foi abençoada.”
Salva a pessoa que se sente inútil,
Salva o dia que se vive e que nunca se entende,
A menos que se escreva.
Escrever é procurar entender,
É procurar reproduzir o irreproduzível,
É sentir até o ultimo fim,
O sentimento que permaneceria
Apenas vago e sufocador.
Escrever é também abençoar
Uma vida que não foi abençoada.”
(Clarice Lispector)
Ontem fomos assistir uma peça, muito ruim, por sinal. Se alguma coisa salvou naquela enrolação toda, foi uma frase, que atraiu muito mais a minha atenção do que o Bruno Gagliasso jogando sinuca imaginária:
"Artista é uma alma perturbarda.. quando ele descobre o que fazer, ele se liberta do inferno em que vive."
Longe de mim querer me sentir uma grande artista ou coisa assim. Só sentia muita saudade de ter tempo e paciência pra escrever, pra me livrar do meu inferno. Ouso dizer que só escrevo quando estou no inferno.
Faz um ano, mas parece que fazem mil, eu comentava com uma amiga no msn sobre a minha semana.. e o engraçado é comparar aquela semana com essa, e ver que elas foram praticamente iguais. E como se fosse um ciclo.. mas não na ideia de começo-meio-fim, e sim na ideia de repetições.
Bom saber que as coisas se repetem mas eu mudo minhas atitudes sobre elas. Fico me perguntando o que teria acontecido se eu tivesse prestado o vestibular para esse curso, se tivesse me interagido mais com as pessoas.. enfim, se tivesse tomado milhões de atitudes que não tomei.
Pelo menos é uma forma de ganhar experiencia, uma forma de voltar no tempo e testar novos métodos de reação. Deixar de ser como o cachorro de Pavlov, que sofre numa ação repetitiva que sempre resulta em dor.
Ganhei experiencia, mas perdi tempo. Como sempre acontece no fim do ano, temos aquela retrospectiva mental, e eu fico me perguntando sobre tudo isso..
Ontem fomos assistir uma peça, muito ruim, por sinal. Se alguma coisa salvou naquela enrolação toda, foi uma frase, que atraiu muito mais a minha atenção do que o Bruno Gagliasso jogando sinuca imaginária:
"Artista é uma alma perturbarda.. quando ele descobre o que fazer, ele se liberta do inferno em que vive."
Longe de mim querer me sentir uma grande artista ou coisa assim. Só sentia muita saudade de ter tempo e paciência pra escrever, pra me livrar do meu inferno. Ouso dizer que só escrevo quando estou no inferno.
Faz um ano, mas parece que fazem mil, eu comentava com uma amiga no msn sobre a minha semana.. e o engraçado é comparar aquela semana com essa, e ver que elas foram praticamente iguais. E como se fosse um ciclo.. mas não na ideia de começo-meio-fim, e sim na ideia de repetições.
Bom saber que as coisas se repetem mas eu mudo minhas atitudes sobre elas. Fico me perguntando o que teria acontecido se eu tivesse prestado o vestibular para esse curso, se tivesse me interagido mais com as pessoas.. enfim, se tivesse tomado milhões de atitudes que não tomei.
Pelo menos é uma forma de ganhar experiencia, uma forma de voltar no tempo e testar novos métodos de reação. Deixar de ser como o cachorro de Pavlov, que sofre numa ação repetitiva que sempre resulta em dor.
Ganhei experiencia, mas perdi tempo. Como sempre acontece no fim do ano, temos aquela retrospectiva mental, e eu fico me perguntando sobre tudo isso..
Perdi um ano?
Ganhei um ano?
Vivi um ano... ?
Ganhei um ano?
Vivi um ano... ?
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