Pode parecer que já faz muito tempo que você deixou a gente.. tem o que, dois meses?
E ainda assim outro dia eu acordei chorando.
E ontem eu sonhei com você.
Foi um sonho muito, muito triste.
Eu acordei com o coração apertado, esperando que você esteja bem..
A gente tava voltando pra casa ontem e a Marina disse que sempre lembra de você quando faz a brincadeira das cadeiras.. a Nina confirmou e o Tici disse que não consegue mais escutar Tom Zé sem lembrar de você. Eu só fiquei quietinha enquanto o carro passava por Botafogo e eu lembrava das várias vezes em que nós fomos pra lá, todos juntos, depois da aula.. Lembrar disso é bom. Faz a gente rir, como você sempre fazia.
Eu me sinto mal, sabe porque?
Eu sinto como se eu não merecesse sentir tanto isso.. eu olho ao redor é tá todo mundo bem..
A Maíra disse outro dia que ainda chora quando vê as fotos que a gente tirou na casa dela aquele dia..
Eu descobri que você foi meio filha-da-puta aquele dia, o Vitor me contou. E eu ri mais uma vez com as coisas que você fazia.
O Vitor me contou que você me zoava as vezes numa piada interna com ele e o Andrey.. também me fez rir.
Você continua fazendo a gente rir, e não dá pra acreditar que você fosse uma pessoa triste, não dá.
Eu me sinto mal..
A gente se conhecia a.. o que, seis meses?
Eu te considerava minha amiga, de verdade, mas não sei se você sentia o mesmo.. você disfarçava bem o que sentia, fazendo piadas e sendo sarcástica.
Mas, muito mais do que gostar de você, como pessoa e amiga, eu te admirava. Pra caralho.
Você sempre foi melhor que eu em um monte de coisas.. e eu te olhava e pensava em como eu queria ser desinibida como você, cara-de-pau como você, inteligente como você, lutadora como você..
Como eu queria conseguir escrever tão bem quando você escrevia. Nesse exato momento, escrevendo esse texto, eu me sinto mal. Porque ele é um nada comparado ao seu brilhantismo, que você registrava até nas paredes da sua casa e pelo seu corpo. Você era foda.
Eu não sei se estou sendo sentimentaloide demais ou subestimando meus sentimentos. Deve ter muito mais gente por ai que sofreu muito mais do que eu quando você foi embora, e eu me sinto pequena diante disso. Só uma caloura chata e intrometida, como você mesmo me definiria.
Eu não sei se você gostava de mim de verdade ou era só a sua simpatia que irradiava em todo mundo.. "a luz que saia de dentro e emanava pelos fios de cabelo loiro", era o que a Padu dizia. Você contou algumas coisas da sua vida e eu me identifiquei.. acho que eu nunca te disse o quanto me identificava com você. Eu nem sei se você sentia isso por mim ou o quão amigas nós nos tornamos nesses miseros seis meses. Eu queria ter tido mais tempo de te conhecer.
Ter tido mais conversas de três horas no telefone, ter tirado mais fotos com você e ter assistido mais filmes que você me indicou. Eu nunca vi o fim de Memento, sabia? Vai ser estranho não ver o fim com você repetindo as falas pra mim. Wake up.. Wake up.. Wake up...
Naquela sexta-feira, no corredor da ECO, quando a Maíra me puxou da saída da Vianinha e me contou o que você tinha feito, eu não consegui chorar. Eu fiquei péssima e eu queria fugir dali, eu abracei minhas pernas e me incolhi. Naquela hora, eu só queria ser uma célula autofágica, me digerir e sumir dali.. mas eu não consegui chorar.
No Caju, no sábado, a mesma coisa..
Algumas pessoas não choram em enterros porque acham que aquilo ali não significa nada.. algumas simplesmente não gostam de chorar em público.. Mas nenhum desses foi o meu motivo. Eu só não consegui.
Nos dias seguintes eu passei o tempo todo junto com as pessoas que também estavam péssimas.. essas mesmas pessoas que te conheciam muito melhor que eu.. e eu fui começando a chorar. E hoje eu sinto a sua perda tão real que ela me machuca e eu só consigo chorar.
A sua ausência me faz mal e sentir isso me faz mal porque eu não sei se deveria. A gente se acostuma com tudo, não é mesmo?
"Eu só queria poder dormir.."
Sabendo que você está bem.
Eu sinto sua falta, Amanda.
"Deixe-me ir, preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar..."
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
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